Quarta-feira, 10.06.09

Hoje passeando por um blog de um amiguinho li isso:

"As possibilidades são infinitas, não se limite ao que vc traçou; os vieses, às vezes, podem nos levar a caminhos tão melhores que o nosso limitado querer... paciência com a vida, moço... tudo vai ficar bem...você é tão rico de amor e tantas outras coisas... fé no que está por vir...

Somalia. "
 
 
 
Era justamente o que eu precisava nessa manha, derepente tudo se acalmou e uma paz entrou dentro do meu ser!
 
Obrigado amiguinho distante!

 



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Terça-feira, 26.05.09

"A memória em si não é nada. Não é bonita nem feia, nem útil nem inútil. Ia a dizer que era o que se quiser, mas nem isso. É uma maneira de dar sentido ao que se vive. É uma coisa que fazemos. Em nome do que trazemos na alma, e por causa do amor, faz sentido fazê-la o melhor que podemos. Agora há alguém que seja capaz de me explicar porque é que eu não sou capaz de me lembrar da cara do meu Amor? A memória é uma coisa que não lembra ao diabo."

 

in Miguel Esteves Cardoso, "A Aventura da Memória"



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Sexta-feira, 10.04.09

Passou-lhe a vida ao lado e as palavras que ficaram por dizer ficaram
perdidas para sempre no espaço entre os sons, perdidas entre as vogais e
as consoantes, perdidas de sentidos.
Passou-lhe a vida ao lado e foi quando quis de facto falar que a voz lhe
faltou, foi exactamente no momento em que se quis chegar à frente que
lhe faltaram as forças ficando a ver o resto do mundo que passava ao seu
lado sem reparar na sua presença.
Viu-se assim de mão atadas, de pés atados, de palavras atadas.
Viu-se assim limitada e quis maldizer a vida, quis mandar para o inferno
os deuses, quis ir ela própria para o inferno.
Viu-se assim velha e envelhecida, perdida e esquecida e quis poder
voltar atrás, quis escalar as montanhas que olhava de longe, quis cantar
as notas que ficaram por ecoar nos caminhos que percorreu a custo, quis
não ter chorado tanto os amores e ter-se dado a amar mais, quis ter
vivido mais a vida em vez de perder o tempo a negá-la, quis ter cantado
mais em vez de desgastar a voz a amaldiçoar o que só dela poderia
depender para melhorar.
Passou-lhe a vida ao lado e dava-se conta disso no exacto momento em que olhava a morte de frente! Não nos olhos que isso é característica importante demais para atribuir a algo que ceifa vidas de um modo tão arbitrário, mas de frente que o respeito é bonito!
E foi nesse confronto, foi nesse momento em que se encontrava de frente para a morte, em que se encontrava de frente para o passado e para a impossibilidade de futuro que sentiu uma enorme falta de ar, uma aflição medonha, um medo indescritível. Foi nesse exacto momento que de um salto saiu da cama ainda meio azamboada com o sonho que tivera.
Sentada na beira da cama pensou que aquele sonho tinha sido um aviso, que não o podia ignorar.
Estava na altura de agarrar na sua própria com as suas próprias mãos!
Lá fora o dia começava a clarear.
Ela sentindo-se cheia de força sentiu-se ela própria a renascer.
Passado uns minutos voltou a deitar-se dando como terminada a luta que estava a combater com o sono.
Amanhã meteria mãos à obra hoje estava demasiado cansada.
E assim deixou passar mais um dia!
 



publicado por renovatio às 05:29 | link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito

Terça-feira, 24.03.09

Irrita-me
Irrita-me a falta de coluna
o ser invertebrado que deixou de Ser
que é definido pelo Ter
pela inveja de não Ser
Irrita-me
Mas irrita-me mesmo
esta forma menor de se achar superior
esta mania de demarcar linhas
como se fronteiras fossem daí nascer
Irrita-me
Mas deixa-me mesmo possessa
esta forma obscena
de não conseguir ser fontal
de nunca chegar a dizer
Irrita-me
Irrita-me e chega-me a dar um certo gozo
porque quem perde as energias nesta forma mesquinha
anda a perder tempo que é precioso
E embora me irrite
depois acaba por me passar
Mas a vocês meus invertebrados
continua sempre a inveja a pesar!



publicado por renovatio às 04:10 | link do post | comentar | favorito

Domingo, 08.03.09

Só uma vez fui verdadeiramente amado. Simpatias, tive-as sempre, e de todos. Nem o mais casual tem sido fácil ser grosseiro, ou ser brusco, ou ser até frio para comigo. Algumas simpatias tive que, com auxilio meu, poderia – pelo menos talvez – ter convertido em amor ou afeto. Nunca tive paciência ou atenção do espírito para sequer desejar empregar esse esforço.

A principio de observar isto em mim, julguei – tanto nos desconhecemos – que havia neste caso da minha alma uma razão de timidez. Mas depois descobri que não havia; havia um tédio das emoções, diferente do tédio da vida, uma impaciência de me ligar a qualquer sentimento contínuo, sobretudo quando houvesse de se lhe atrelar um esforço prosseguido. Pra que? Pensava em mim o que não pensa. Tenho a sutileza bastante, o tato psicológico suficiente para saber o <<Como>>; o <<como do como>> sempre me escapou. A minha fraqueza de vontade começou sempre por ser uma fraqueza da vontade de ter vontade. Assim me sucedeu nas emoções como me sucede na inteligência, e na vontade mesma, e em tudo quanto é vida.

Mas daquela vez em que uma malícia da oportunidade me fez julgar que amava, e verificar deveras que era amado, fiquei, primeiro, estonteado e confuso, como se me saíra uma sorte grande em moeda inconvertível. Fiquei, depois, porque ninguém é humano sem o ser, levemente envaidecido; esta emoção, porém, que pareceria a mais natural, passou rapidamente. Sucedeu-se um sentimento difícil de definir , mas em que se salientavam incomodamente as sensações de tédio, de humilhação e de fadiga.

De tédio, como se o Destino me houvesse imposto uma tarefa em serões desconhecidos. De tédio, como se um novo dever – o de uma horrorosa reciprocidade – me fosse dado com a ironia de um privilégio, que eu me teria ainda que maçar, agradecendo-o ao Destino. De tédio, como se me não bastasse a monotonia inconsistente da vida, para agora se lhe sobrepor a monotonia obrigatória de um sentimento definido.

E de humilhação, sim, de humilhação. Tardei em perceber a que vinha um sentimento aparentemente tão pouco justificado pela sua causa. O amor a ser amado deveria ter-me aparecido. Deveria ter-me envaidecido de alguém reparar atentamente para a minha existência como ser-amável. Mas, à parte o breve momento de real envaidecimento, em que todavia não sei se o pasmo teve mais parte que a própria vaidade, a humilhação foi a sensação que percebi de mim. Senti que me era dada uma espécie de premio destinado a outrem – premio, sim, de valia para quem naturalmente o merecesse.

Mas fadiga, sobretudo fadiga – a fadiga que passa o tédio. Compreendi então uma frase de Chateaubriand que sempre me enganara por falta de experiência de mim mesmo. Diz Chateaubriand, figurando-se em René, on Le fatigait en l’aimant. Conheci, com pasmo, que isto representava uma experiência idêntica à minha, e cuja verdade portanto eu não tinha direito de negar.

A fadiga de ser amado, de ser amado deveras! A fadiga de sermos objeto do fardo das emoções alheias! Converter quem quisera ver-se livre, sempre livre, no moço de fretes da responsabilidade de corresponder, da decência de se não afastar, para que se não suponha que é príncipe nas emoções e se renega o máximo que uma alma humana pode dar. A fadiga de se nos tornar a existência uma coisa dependente em absoluto de uma relação com um sentimento de outrem! A fadiga de, em todo o caso, ter forçosamente que sentir, ter forçosamente, ainda que sem reciprocidade, que amar um pouco também!

Passou de mim, como até mim veio, esse episodio na sombra. Hoje não resta dele nada, nem na minha inteligência, nem na minha emoção. Não me trouxe experiência alguma que eu não pudesse ter deduzido das leis da vida humana cujo conhecimento instintivo albergo em mim porque sou humano. Não me deu nem prazer que eu recorde com tristeza, ou pesar que eu lembre com tristeza também. Tenho a impressão de que foi uma coisa que li algures, um incidente sucedido a outrem, novela que li metade, e de que a outra metade faltou, sem que me importasse que faltasse, pois até onde a li estava certa, e, embora não tivesse sentido, tal era já que lhe não poderia dar sentido a parte faltante, qualquer que fosse o seu enredo.

Resta-me apenas uma gratidão a quem me amou. Mas é uma gratidão abstrata, pasmada, mas da inteligência do que de qualquer emoção. Tenho pena que alguém tivesse tido pena por minha causa; é disso que tenho pena, e não tenho pena de mais nada.

Não é natural que a vida me traga outro encontro com as emoções naturais. Que desejo que apareça para ver como sinto dessa segunda vez, depois de ter atravessado toda uma extensa analise da primeira experiência. É possível que sinta menos; é também possível que sinta mais. Se o Destino o der, que o dê. Sobre as emoções tenho curiosidade. Sobre os fatos, quaisquer que venham a ser não tenho curiosidade alguma.

 

Podemos morrer se apenas amámos.

 



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Quinta-feira, 22.01.09

Nuvens... Hoje tenho consciência do céu, pois há em que não olho mas sinto, vivendo na cidade e não na natureza que a inclui. Nuvens... São elas hoje a principal realidade, e preocupam-me como se o velar do céu fosse um dos grandes perigos do meu destino. Nuvens... Passam da barra para o Castelo, de ocidente para o oriente, num tumulto disperso e despido, branco às vezes, se vão esfarrapadas na vanguarda de não sei quê; meio-negro outras, se, mais lentas, tardam em ser varridas pelo vento audível; negras de um branco sujo, se, como se quisessem ficar, enegrecem mais da vinda que da sombra o que as ruas abrem de falso espaço entre as linhas fechadoras da casaria.

Nuvens... Existo sem o saiba e morrerei sem que o queira. Sou o intervalo entre o que sou e o que não sou, entre o que sonho e o que a vida fez de mim, a média abstrata e carnal entre coisas que não são nada, sendo eu nada também. Nuvens... Que desassossego se sinto, que desconforto se penso, que inutilidade se quero! Nuvens... Estão passando sempre, umas muito grandes, parecendo, porque as casas não deixam ver se são menos grandes que parecem, que vão a tomar todo o céu; outras de tamanho incerto, podendo ser duas juntas ou uma que se vai partir em duas, sem sentido no ar alto contra o céu fatigado; outras ainda, pequenas, parecendo brinquedos de poderosas coisas, bolas irregulares de um jogo absurdo, só para um lado, num grande isolamento, frias.
Nuvens... Interrogo-me e desconheço-me. Nada tenho feito de útil nem farei de justificável. Tenho gasto a parte da vida que não perdi em interpretar confusamente coisa nenhuma, fazendo versos em prosa às sensações intransmissíveis com que torno meu universo incógnito. Estou farto de mim, objectiva e subjectivamente. Estou farto de tudo, e do tudo de tudo. Nuvens... São tudo, desmanchamentos do alto, coisas hoje só elas reais entre a terra nula e o céu que não existe; farrapos indescritíveis do tédio que lhes imponho; névoa condensada em ameaças de cor ausente; algodões de rama sujos de um hospital sem paredes. Nuvens... São como eu, uma passagem desfeita entre o céu e a terra, ao sabor de um impulso invisível, trovejando ou não trovejando, alegrando brancas ou escurecendo negras, ficções do intervalo e do descaminho, longe do ruído da terra e sem ter o silêncio do céu. Nuvens... Continuam passando, continuam sempre passando, passarão sempre continuando, num enrolamento descontínuo de meadas baças, num alongamento difuso de falso céu desfeito.  


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Domingo, 11.01.09

"Quando regressei à gaiola, não acreditei nos meus olhos: havia um novo prisioneiro na Charly-Charly-1, dentro de uma gaiola que até àquele momento tinha estado vazia. Era ainda novo, talvez da mesma idade que eu, teria 19 ou 20 anos. Estava deitado no chão e emitia uns sons baixos. Não estava a chorar, mas pensei que estava a ouvir uma coisa parecida com uma melodia, uma triste canção árabe. Já não tinha pernas. As feridas eram muito recentes. (...)
Quando os guardas apareceram para o levar para o interrogatório, ordenaram-lhe que se sentasse de costas para a porta e pusesse as mãos sobre a cabeça. Quando abriram a porta, precipitaram-se lá para dentro como sempre faziam: empurraram-lhe as costas e obrigaram-no a deitar-se, depois prenderam-lhe as mãos e amarraram-no, de maneira que ele já não se podia mover. Abdul gritava com dores.
Por que é que estavam a fazer aquilo? Ele já não tinha pernas, e talvez pesasse quarenta quilos. O que lhes poderia ele fazer? (...)
O estranho era que, embora tivesse sofrido dores inimagináveis, ele era uma pessoa muito contida. Apesar do seu péssimo estado, interessava-se pelos outros. Quando o IRF-Team lhe batia, nunca chorava. Mas quando via outros prisioneiros a serem espancados nas suas gaiolas, então chorava. Chorava alto. Tinha compaixão, embora ele próprio estivesse a ser tratado de um modo tão desumano. Depois foi mudado para outro lado e nunca mais o vi. "
(in O Meu Inferno em Guantánamo, Murat Kurnaz)



publicado por renovatio às 22:31 | link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito

 

Encerro no interior das pálpebras as imagens que insisto tactear.
Teimo em existir nas entrelinhas dos lábios que despejam promessas no chão.

Promessas ao chão.
Promessas de chão.
Desenho um cadeado inventado que disfarça a ausência da segurança dos teus braços.
Aqui diluo os perfumes e sabores que sempre foram meus.
Não acredito que a parada de emoções termine depressa.

Hoje toquei piano e todas as frases se tornaram
difusas, incoerentes, sem seguimento.
Só pontos finais.

(*Yann Tiersen ft/ Lisa Germano - La Parade)



publicado por renovatio às 13:39 | link do post | comentar | favorito

Há poetas que cantam o amor
Elegem suas musas
Um objecto inspirador
 
Se carnal para Bocage
Platónico para Camões
Tudo não passa de uma miragem
O amor não tem explicações
 
Cego, surdo ou mudo
O amor é o nada que é tudo
 
Para Pessoa amar
Era escrever
em quadra popular
 
Romantismo à parte
o amor tem a sua arte
E ainda há quem diga que é
impossível ser feliz sozinho
Eu digo que com amor
se vai pelo bom caminho
 
Que quando se tem não se quer perder
e quando se perde é imensa a dor
Talvez os poetas nunca tenham pensado

Quantos sentimentos cabem no amor?



publicado por renovatio às 13:01 | link do post | comentar | favorito

Sábado, 10.01.09

Amo aos bocados
só para não acabar com o coração despedaçado
Dou-me aos bocados
só para não acabar com o corpo mutilado.

----------------------------------------------

Estava eu cá quieto, nada eu fazia

A inercia me mordia

E e acho que mais um bicho me mordeu!

Estou eu a sorrir? estaria eu a esperar o dia de manha? nossa quanta coisa!

Que eu seja feliz!



publicado por renovatio às 23:21 | link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito

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