Quinta-feira, 17 de Julho de 2008

Hoje eu acordei com nítida sensação que eu me vi dormir a noite toda, esta tão clara na minha mente que posso ate descrever. Dormia aninhado entre as cobertas, com um semblante tranqüilo, confiante, um leve sorriso beijava meus lábios, cabelos levemente desorganizados, parecia ser ninado por algo invisível, seria eu mesmo quem ninava? Como seria possível eu lembrar? Mas eu estava lá lindo, tranqüilo, sereno, parecia que sonhava com campos de margaridas, nada parecia importar mais, ou parou de importar, a velocidade das coisas diminuíram no exato momento do meu sono. E eu ali, não cansava de me ver, acho que era a primeira vez em séculos que parava pra me observar, via todos os meus nuances. Era emocionante o simples fato de eu mesmo poder me dar um afago, um carinho pela face, um amor fraterno de mim para comigo.

Amanheceu e eu permaneci na cama, ainda no meio das cobertas, e o sorriso permanecia ali, uma felicidade me invadia, tomava conta de mim, se espalhava pelo meu sangue, e fazia meu coração bater de uma forma diferente. Ouvia musica bem baixinha que vinha do quarto da minha irmã, ela era suave, mas mesmo assim era percebida por mim, fiquei um segundo ali deitado ouvindo aquela canção que me lembrava a adolescência, lembre de pessoas e momentos vividos naquela canção, ri! E ri de coisas que não me lembrava mais. Resolvi finalmente levantar, mas o sorriso ainda ali, estampado, grudado, como se fosse uma tatuagem. A água quente que rolava pelo meu corpo me dava uma sensação tão boa de limpeza, de limpeza da alma, como se tudo estivesse sendo lavado ali naquele momento. Uma roupa bem bonita no corpo, cabelos delicadamente penteados, perfume e todo um preparativo ritualístico pro café da manha, pensei – isso tudo por café da manha? Afinal de contas eu mereço, quero estar diferente hoje, me sinto diferente.

Na mesa do café todos reunidos era uma família diferente da que eu tinha deixado na mesa do jantar, os rostos estavam diferentes, as coisas não eram as mesmas. As cores estavam diferentes, o céu de um azul intenso, arvores de vivo verde, e o amarelo do suco de laranja que mais me chamou atenção. Minha “diferença” foi notada por todos, com breves comentários sobre o que poderia ter acontecido, mas não havia descrição sobre nada, eu mesmo não sabia de nada. Como se tudo fosse pela primeira vez, fiquei ali sentado naquela mesa, de cores e odores, dos assuntos pela volta que me fascinavam, de um lindo bebê que se deliciava com um grande pedaço de bolo, que por sinal era delicioso. Toda a gente foi redescoberta, todos se perguntando sobre seus sonos, de como o vento bateu forte na noite, de como seriam seus dias, das noticias nos jornais, e aquele sorriso que ficava ali, e eu fazia questão de distribuí-lo para todos, afinal eu recebi de graça.

Ajudei a minha me e minha irmã a recolher as coisas do café, levando cuidadosamente a louça pra cozinha, e minha mãe lá linda, nunca tinha reparado na beleza dela, resolvi pegar a ultima dose de café antes de sair, e ela me pergunta – o que houve moço? Qual o motivo dessa diferença toda?. Não sabia explica e ela sabia disso, e logo pousei a xícara na bancada da cozinha e me apressei, ela cuidadosamente me deu um beijo e esticou minuciosamente o meu casaco, não recebia um beijo desses dela desde que era um miúdo, não sei se eu bloqueie em algum momento, se não dava a brecha necessária, mas com a minha diferença de hoje ele pode acontecer, e isso me fez mais feliz que nunca, retribui o beijo e como sempre faço questão de deixar claro, disse que a amava do tamanho do universo. Caminhando ate o carro notei três florzinhas, dessas que nascem em qualquer lugar, peguei as três e a presenteei cada um dos meus amores.

Na estrada ate a nova e breve ocupação, percebi o que tinha acontecido, notei o extraordinário, eu tinha reencontrado minha essência, tinha me notado, me redescoberto e permanecia feliz por isso. Percebi que não podia mais bancar o Jesus para os leprosos que eu mesmo inventava, que eu não podia levantar os mortos. Eu estava perdido antes mesmo de chegar aqui, e agora finalmente me reencontrei. Eu tinha amarrado todas as coisas que me impossibilitavam num baú, abri o mar com minhas mãos e o joguei, e me sinto bem por isso. Não podemos fica sem nos mesmos. Luiz Antonio levantou de um sono de esquecimento e agora esta aqui, percebido por ele mesmo, eu me conheci e gostei do que vi. Nada será como antes, todos já me conheciam menos eu mesmo.

Trechos para esse dia:

 

“That I would be loved even when I numb myself
That I would be good even when I am overwhelmed
That I would be loved even when I was fuming
That I would be good even if I was clinging”

 That I would be good – Alanis Morisset

“Your love is thick and it swallowed me whole
You're so much braver than I gave you credit for
That's not lip service

You are the bearer of unconditional things
You held your breath and the door for me
Thanks for your patience “

Head over Feet – Alanis Morisset

“Sometimes the system goes on the blink
And the whole thing turns out wrong
You might not make it back and you know
That you could be well oh that strong
And I'm not wrong”

Bad Day – Daniel Powter

“While my heart is a shield
And I won't let it down
While I am so afraid to fail
So I won't even try
Well how can I say I'm alive?

But if my life is for rent
And I don't learn to buy
Well I deserve nothing more than I get
Cos nothing I have is truly mine”

Life for Rent – Dido

” And I won’t go, I won’t sleep, I can’t breathe
Until you’re resting here with me
And I won’t leave, and I can’t hide, I cannot be
Until you’re resting here with me”

Here with me – Dido

Tem muitas outras musicas que me acompanharam nesse dia de felicidade mas deixo isso pra lá, e coloco só as que me acompanharam durante a escrita desse texto.

 


sinto-me

publicado por renovatio às 06:06 | link do post | comentar | favorito

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