Sexta-feira, 8 de Agosto de 2008

Estou eu aqui no silencio do meu quarto percebendo toda a movimentação do despertar das pessoas, e é engraçado como tudo é uma rotina, meu pai levanta sempre aos altos reclamando de algo, pra ele nunca faltam reclamações, minha mãe parece um fantasma a passear pela casa, vez por outra dou com ela entrando nos cômodos sem fazer um ruído se quer, pisa em seda sempre, levanta com a cara mais estranha que eu já vi na vida. Minha irmã sempre reclama algo em hebraico com a micro, ou porque ela não escovou os dentes direito ou porque não quer calçar os sapatos, isso porque a criança só tem um ano e poucos, imagina quando tiver vinte! A reclamação será porque ela ainda não ganhou nenhum premio Nobell.

Venta mais do que o normal lá fora, me parece que será um dia de clima mais frio, afinal o verão começa a dar adeus e as folhas começam a cair. E eu ainda trancado no quarto sem ter dormido nada, e isso sempre é motivo de piadas e zombaria, levantar com a cara de ontem.

Do meu quarto eu ouço todas as conversas na cozinha, todos os assuntos e nenhum deles me apetece muito, acho que por isso permaneço aqui no meu pequeno claustus, só esperando que as coisas se acalmem, que os assuntos se dissipem no ar etéreo da manha. Eu sempre acho que não pertenço a essa gente, tão mais complexa que eu, e eu sempre fui alheio a todas as preocupações compartilhadas por eles, a margem, não sei se eu sou de mais ou de menos, só não sei sentir como eles. Um estrangeiro dentro de minha própria família.

Faz algum tempo que estou dormindo no meu antigo quarto, o quarto que habitei por 5 anos, guardo boas lembranças dessa época, as lembranças sempre me visitam ao encontrar algum objeto a muito esquecido por mim. Em uma pequena estante encontro alguns carrinhos e uma bola de futebol, dois brinquedos que eu posso afirmar que estão intactos desde que foram postos nesse mesmo lugar, nunca fui fã de carrinho e muito menos das bolas. E eu tinha apenas 5 anos quando deixei esse quarto, voltando em raras ocasiões, sinto a cama pequena e falta de alguns objetos que pra mim hoje é fundamental. A velha mesa agora serve de apoio para um computador inútil, milhões de papeis impressos, livros de todos os gêneros, e aparelhos eletrônicos que outrora não era nem capaz de imaginar que um dia pudessem existir.

Engraçado a forma que percebemos o nosso passado, se eu me esforçar um pouquinho juro me ver ainda criança a correr pelos corredores dessa casa, sempre quebrando algo por ser tão estabanado. Posso ouvir a minha avó sair do cantinho dela pra ver se eu não tinha me machucado ou quebrado algo que era de inestimável valor sentimental pra ela, e olha que eu já quebrei muitas coisas de inestimável valor sentimental. Um miúdo de cabelos escorridos cor de mel, magrinho, olhos claros sempre observando as coisas, sempre tentando encontrar um ângulo de visão diferente dos demais, uma faceta esquecida por todos, sempre existia uma saída, uma observação diferente diante desses olhos. Uma criança de poucas palavras, olhando agora depois desses anos todos, poderia ate dizer que tinha um ar triste, muito serio pra sua idade, mas era uma criança alegre e observadora, de tanto ser reprimido em seus “por quês” ficou calado e aprendeu sozinho a buscar as suas respostas tão queridas, esse moleque de riso natural sempre me assombra nas noites eternas.

Sinto fome mas não sinto vontade de sair! Se estivesse com as minhas cordas juro que fugiria pela janela e tomaria café na rua, seria notada a minha falta? Certamente dariam falta de mim ao meio dia! Mas já estou acostumado com isso faz anos.

  1. Chega da sessão flashback, sinto cheiro de bolo de milho e eu estou faminto e louco por uma caneca grande de café!

 

Revisar esse texto? Eu não! Sem saco!


sinto-me

publicado por renovatio às 07:25 | link do post | comentar | favorito

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