Quinta-feira, 14 de Agosto de 2008

Essas duas semanas tem sido extremamente difíceis pra mim, no âmbito das minhas coisas, sinto-me com uma inquietação interna, lembranças doloridas vem a tona, coisas que nem eu sei explicar direito. Problemas de teorias com a tese, não consigo escrever as coisas que estão bem resolvidas na minha cabeça, as teorias já foram provadas, mas não consigo colocar no papel, fica o cursor do Word piscado uma linha abaixo de onde diz “discussões filogenéticas”, e ai o que fazer? Não faz né! As pranchas estão todas alocadas nos seus lugares, com suas respectivas legendas, todos os cladogramas foram feitos, estão super consistente, mostram “exatamente” as correlações evolutivas, e a inclusão de novos táxons onde antes não existiam nenhuma correlação de parentesco evolutivo.

E eu to aqui, com uma vontade incrível de falar coisas que são só minhas, dos meus medos, das angustias, das alegrias, me sinto só, uma solidão na multidão. Quero minha analista de volta, preciso falar com alguém mesmo que eu tenha que pagar pra ser ouvido. Hoje eu descobri que estou completamente falido, com uma conta bancaria que se esvazia cada vez mais, segunda parcela de uma merda que não é minha foi transferida hoje, e como meu orgulho é grande não aceitarei a ajuda dos familiares. Tenho que voltar pra casa, ou o que sobrou dela. O CNPq só me enrola, preciso dessa grana pra voltar e ver uma pessoa que pra mim é muito especial.

O artigo novo esta sendo escrito, e flui muito bem, as mulheres sempre trabalham melhor que os homens, recebi uma documentação bibliográfica por e-mail, nunca tinha visto coisa tão organizada, as imagens de satélites todas lindas, bem focadas, com todos os tipos de informação. Uma riqueza de detalhes que me poupou um incrível trabalho, mas fiquei morto de vergonha ao enviar as coisas pra menina no Japão, uma confusão maluca, caldogramas desorganizados, sem nenhum tipo de legenda, claro que a sintonia entre um sistemata e uma biogeógrafa especializada em formação de biodiversidade é grande, é claro que ela saberá identificar os cladogramas, eu também poderia ser gentil da mesma forma que ela foi e organizar as coisas antes de enviá-las. Tudo bem, ninguém tem culpa que minha vida é uma bagunça, mas eu devo no mínimo organizar coisas urgentes.

Queria estar partindo agora, sinto necessidade de colo, de uma afago, mesmo um sorrisinho de longe, onde me diz subjetivamente “eu estou aqui com você” mas nem isso eu posso ter, claro que isso tudo ocorre por uma culpa minha, talvez eu tenha priorizado coisas na minha vida que nem são tão importantes assim, essas merdas de pós, pré, escreve dali e publica daqui. Claro que isso tudo me da uma certa felicidade, afinal eu trabalhei tanto pra conseguir tudo isso. Em épocas que eu me recusei a amar novamente, peguei tanto trabalho, com tantas pessoas, na ânsia de permanecer ocupado boa parte do meu tempo, só olhando em uma janela evolutiva coisas que aconteceram no passado, nem pensei que uma pessoa verdadeiramente especial poderia aparecer. E agora eu estou aqui lutando pra cancelar coisas, terminar as minhas co-autorias e projetos que seriam de importância internacional. Claro que não vou conseguir, dei minha palavra, não posso simplesmente dizer “olha, não vou fazer mais porque estou apaixonado novamente e preciso de tempo” claro que isso é praticamente impossível, a não ser, que eu queria ser massacrado no próximo congresso ou encontro de qualquer tipo.

Mas o fato de descobrir que a pessoa que eu sempre quis, que eu sempre sonhei encontrar ter aparecido na minha vida, mesmo que num momento em que, eu afundado de coisas. Sinto me feliz por isso, mesmo tento o medo diário de tudo acabar, mas procuro não pensar nisso, procuro abstrair meu pensamento toda vez que tal possibilidade surge na minha mente.

Mas vamos ver o lado bom, de 4 meses que eu quebrei a promessa de não amar novamente, eu já entreguei todas as consultorias da Petrobras, já escrevi uma boa parte da tese, já terminei a minha parte em 9 artigos em co-autoria com gente peroba. Claro que ainda falta muita coisa, mas o principal já fiz quebrei minha promessa intima. Estou eu aqui, praticamente morrendo de amores, e querendo organizar toda a bagunça da minha vida pra acomodar esse amor. Pra dividir coisas.

Eu vou conseguir, se acabar eu não farei a promessa novamente. Mas eternamente te amarei, não conseguirei ser de outro. Ficarei na minha eternidade particular com esse amor silencioso guardado em mim, não compartilharei. Permanecerei só, mas com esse amor, o teu, e de mais ninguém.

Falta pouco!

E fico aqui olhar pra lua em céu azul.

P.S: sempre naquele esquema de não revisão, acho que ser eu for revisar vou tirar muita coisa que agora julgaria irrelevante, mas se estão no que eu escrevi é porque existe uma certa relevância para meu subconsciente, mesmo eu não sendo consciente do que digo. A única coisa que eu tenho certeza é que em minha luta diária pra ser melhor pra você acabo sendo errado nas pequenas coisas. Quero sempre ser/estar melhor pra você. Te amo.

 


sinto-me

publicado por renovatio às 20:19 | link do post | comentar | favorito

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