Quinta-feira, 17 de Abril de 2008

Mais uma vez a insônia me visita, como uma velha companheira de a séculos, permanecemos sentados juntos no sofá da sala, um perante o outro, sem trocar palavra, eu revivendo e relendo as frases trocadas a poucos minutos, olhava pra ela ali sentada e com um sorriso leve percebo o meu corpo desprotegido e desnudo de todas as armaduras que sempre trajei, todas forjadas com o fogo da dor, e esfriadas com o sal das lagrimas.

Ando pela casa e encontro seus cacos por toda a parte, não me preocupo em recolhê-los não me são mais úteis, quero continuar assim livre, solto, claro, quero que possa enxergar meu coração que sempre escondi, ate de mim mesmo, mas que agora redescoberto pulsa num descompasso, onde tudo é belo, onde tudo é novidade, onde pode ver a beleza nas pequenas coisas cotidianas longe do frio e cinza do metal que sempre o guardou.

Da janela vejo o cristo de braços aberto num gesto de proteção, mas sei que essa proteção não é pra mim, não me pertence, fecho meus olhos mais uma vez e percebo que minha proteção pode estar nos seus braços. Que me conduzem no balé invisível dos meus dias, no carinho que eu faço em meu rosto com minhas próprias mãos, mas como mágica são conduzidas pelos seus pensamentos, do abraço que sinto todas as manhas, do bom dia que nunca me é dito com a sonoridade dos normais, das frases que ouço durante todo o meu dia em uma língua só nossa.

Eu quero tentar, quero pegar na sua mão, dizer bem baixinho em seu ouvido “- oi! Estou aqui”, entendi finalmente que as lagrimas de derramei a pouco não eram de tristeza, eram lagrimas de limpeza, lavando minha alma, arrumando meu coração, limpando as magoas de outros, tinta nas paredes, vassoura nos tapetes, verniz nos moveis. A reforma começou! Um novo morador se anuncia.

Quero você da mesma forma, desprotegido pra que eu te aqueça no calor de meus braços, ficamos assim um com o outro sem nenhuma espécie de arma e defesa, olhando um ao outro como realmente somos, olhando tudo que tentamos pacientemente esconder de todos, olhando a o segredo escondido nós olhos de cada um. Embriagados pela nossa forma única de um ser do outro.

Só com você eu tenho ate o que o que eu não tive, tantos vivem se ter esses momentos. Eu que sempre sonhei em ser livre, agora só quero que me prenda em seus braços que não solte.

O nego andas mexendo com meu coração!



publicado por renovatio às 15:46 | link do post | comentar | favorito

1 comentário:
De Perséfone B. a 17 de Abril de 2008 às 18:00
Que lindo!
Minha insônia fez uma visita prolongada essa semana, mas pelo menos aproveitei pra colocar os estudos em dia.

A culpa sempre pode ser dividida, mas eu tenho instinto de carrega-la sozinha, um dia aprendo a dividir ;)

Beijinhos pro menino lindo que eu adoro!
Espero que seu coração seja muito mexido e que você seja muito feliz!


Comentar post

posts recentes

Alvorada

Perdi meu remoto controle

For Sale!

Quem?

Chá, teorias e filmes

Nuvens....

Trechos!

My life for rent!

Estudos de Semiótica Comp...

Take my hand

tags

todas as tags

blogs SAPO
subscrever feeds