Terça-feira, 16 de Setembro de 2008

 

É Pessoa estou mais uma vez contigo, recordo-me como hoje, das tardes passadas ao teu lado, da tua complexidade, da complexidade que por vezes faço minha. Mais uma vez estou agarrado aos teus escritos, as tuas lagrimas, em teus rostos e nomes, que tantos são, que nunca se vê como tal. “O eu Profundo e os outros Eus”. Quantos “Eus” hão de habitar dentro de mim? Qual deles seria o mais profundo? O eu cientista, das letras, ou das finanças? A complexidade dos meus Eus se comunicam, interagem uns com os outros, trocam, formam, e deformam, para recriar.
Como tu meus cotovelos estão apoiados em distintas partes, um jaz em terras do sul, enquanto outro permanece no nosso querido Portugal, no sal do atlântico há também muitas lagrimas minhas. A pouco retornei, mas já sinto saudades imensas de nossa Lisboa, dos cafés das ruas baixas, da serração tênue das manhas, do nosso querido atlântico resplandecente, do anseio repentino de embarcar em naus a desbravar terras nunca antes visitadas. É pessoa vivemos em mundos diferentes, separados pelo oceano dos tempos, mas sempre esteve comigo, com a proximidades de conhecidos desde a infância. Embalou minhas primeiras leituras, me ensinou a complexidade de nossa querida língua. Como tu sofro por um amor distante, não há poesia sem sofrimento, e o poeta é o instrumento que a poesia se utiliza para nascer majestosa, dilacera a carne, corta, faz ranger, cortar, afia os ossos, e nasce mesmo que seja preciso a morte do poeta.
Pessoa querido, nunca fomos como toda a gente, sempre seremos o alheio o impar, somos da terra da saudades, só nós há conhecemos bem, somos lânguidos por natureza, choramos sem termos vergonhas de nossas lagrimas e sofrimentos, sofremos, sangra nosso coração e mesmo assim vivemos companheiros de nossas dores, amando-as. Portugueses são assim mesmo, não é Pessoas? Queria a ter contigo conversas das terras de alem mar, das coisas que vejo e ouço, que por vezes torno-me velho de mim. Queria escrever-te cartas seladas a cera, em pergaminho, com uma caligrafia caprichosa, mas não receberia, não poderia enviar o mensageiro através dos mares do tempo. Esses sim são mares nunca navegados.
Velho amigo, por aqui as coisas andam tão mudadas! Os jovens dizes que sua obra anda por demais démodé, pobres os são!
Querido, não alongar-me-ei mais, escrevo-te somente para reatarmos os laços que ficaram esquecidos por períodos demasiadamente longos, e agradeço-te por mais uma vez causar toda a inquietação do verso, por deixar-me louco por mais. Obrigado por mais uma vez jogar o “O eu profundo e os outros eus” por cima de mim! Não me recordava mais dele.


publicado por renovatio às 21:26 | link do post | comentar | favorito

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