Domingo, 8 de Junho de 2008

 

"Se o grande Fernando Pessoa registrou nos seus poemas a impossibilidade de uma identidade e o escritor italiano Luigi Pirandello afirmou que todo "eu" é um, nenhum e cem mil, quem sou eu para querer ser. Entretanto, tenho um rosto e um riso e por isso sou aquele que é feito de angústias, medos e alegrias súbitas. Sou aquele que quer da vida sempre a aventura máxima, o riso iluminado, a lágrima silenciosa. Sou aquele que respira no corpo dos amigos e carrego o coração em todos os poros, o que anda sempre perdido em todas as esquinas e todas as avenidas. Enfim, amo a vida, ou melhor, a poesia, pois ambas são a mesma verdade."

 

Seria eu assim? bem provavel, será que sei realmente quem sou? sofreria eu do mal da poesia?

 

 

"teus olhos perdem-se
na pele das horas
em crepúsculos
pousados
em árvores e manhãs

caminhas
simplesmente
caminhas

e em tuas entranhas
uma vertigem
de sonhos
de sustos
intactos
costura teu ser
no exílio dos pássaros
em sorrisos de areia
e alumbramento

cada passo teu
cicatriza a nudez
do sol
a vertigem de frutos
e folhas
tombados
no chão da memória


desenhas
com tuas pegadas
sílabas de chuva
grãos de infância
em pergaminhos
de vento

desenhas
na página do instante
um itinerário
de assombros
uma festa
de barcos
a singrar
o esquecimento


nasceste
para morrer
nos braços
do menino que foste

nasceste
para desenhar
nas sombras
a solidão
de faróis
esquecidos
a inocência
de gestos
naufragados

em teus pulsos
uma estrela sonâmbula
ilumina os prismas
do silêncio
as bússolas
do esquecimento

tiveste o perfil
desenhado pelas despedidas
esculpido pelas ausências

teu rosto
nuvem desarvorada
escreve milagres
no âmago das brisas

teu rosto
adaga partida
escreve miragens
na tez do efêmero

caminhas
simplesmente
caminhas

despedaçando os acasos
as iluminuras do mistério

cortando os azares
as constelações do indizível


e quanto mais caminhas
mais regressas à casa
dos escombros
ao passado apunhalado
pelos presságios

quanto mais caminhas
mais retornas aos braços
da Origem
aos encantamentos
do Princípio

caminhas
eternamente
caminhas

enquanto
o agora
aflora
inteiro
no eco
de teus passos."


sinto-me Sozinho, cansado....
música O bebado e o equilibrista - Elis Regina

publicado por renovatio às 20:33 | link do post | comentar | favorito

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